Saudades demais
Um de meus tangos favoritos num momento de nostalgia portenha. “Juguete Rabioso”, de La Chicana, banda que participa da trilha sonora do filme “Ciudad en Celo“.
Não deixem de apreciar esta canção:
Veterano del insomnio, soy un viejo prematuro.
Se me cansan las palabras, no es una forma de hablar.
Tengo una viola italiana, cuando hay hambre no hay pan duro.
El Mario me la endereza pero se vuelve a doblar.
Para garpar el casorio y el anillo vendà el coche.
Inocente adolescente, rematé mi libertad.
Soy un yonqui de la tele sin volumen a la noche,
como pa no molestarla, aunque ella ya no está.
Loca, no me exilies de tu boca por la culpa que te toca
mencioname una vez más.
TÃpico de mÃ, que vivo en pena, se me da una mano buena
y la tengo que arruinar.
Vos te esmeraste conmigo!
A mi vieja le dijiste que me ibas a domar…
Mi revolución era apariencia me perdiste la paciencia
cuando estaba por flaquear.
Fui tu juguete rabioso, fui tu mito encadenado.
Me tomaste de amuleto, un flaco para tu cruz.
Me amigué con tu retrato, cuántas veces lo he besado
Y lo abrazo preocupado cuando se corta la luz.
En mi guitarra atorranta hay un tango agazapado,
percanta que me amuraste no te puedo ni cantar.
No me sale más lirismo, tengo un verso atragantado
donde te mando a la mierda después vuelvo a suplicar.
Amo a mis boludos…
Como os brasileiros que acabam de voltar de BsAs adooooram falar que argentino é muito, mas muito mais culto, uma matéria interessante (e argentinamente cômica) da correspondente da Folha em Buenos Aires, Adriana Küchler.
“Que Maradona, Evita, Carlos Gardel e Che Guevara são Ãdolos argentinos ninguém duvida. Mas a escolha deles como Ãcones para representar o paÃs na Feira de Frankfurt, um dos principais eventos editoriais do planeta, gerou polêmica no mundo literário argentino. Enquanto o paÃs começava a se preparar para ser homenageado na feira de 2010, ano do bicentenário de sua independência, a informação de que quatro Ãcones não-literários simbolizariam a Argentina no evento vazou e despertou a ira de muitos escritores.
“É desperdiçar a oportunidade de uma enorme vitrine para a literatura argentina, para que nossos livros sejam comprados e traduzidos. Parece que o governo confundiu uma feira literária com um evento cultural”, disse à Folha o presidente da Academia Argentina de Letras, Pedro Luis Barcia.
“É como se o Brasil escolhesse Pelé e João Gilberto no lugar de Machado de Assis e Guimarães Rosa. Ou como se pedÃssemos a Messi para entrar na OlimpÃada com uma foto de Borges. Estão misturando as coisas”, afirmou.
Quando o tango já estava armado, o comitê organizador da representação argentina decidiu agregar à lista o escritor Jorge Luis Borges, Ãcone mais conhecido da literatura local. Depois, a presidente Cristina Kirchner sugeriu a inclusão de outro autor, Julio Cortázar. O time argentino passou então a ser integrado por seis Ãcones, dois deles literários.A decisão, no entanto, não acalmou os ânimos dos escritores”.
Se você pensou que é meio sem noção o fato de os hermanos terem escolhido o Maradonna e a Evita (além do Gardel e Che) pra representar o paÃs em uma feira de literatura, você está mais perto de compreender melhor esse povo…
Eles são tão obcecados por alguns “sÃmbolos” nacionais que perdem os limites de vista. No entanto, nem é necessário mencionar que a Argentina é berço de intelectuais e artistas incrÃveis como Jorge Luis Borges e Júlio Cortázar (mas prefiro fazê-lo senão podem me acusar de racista- justo eu que tanto amo os argies) e, obviamente, existe gente à altura desses gênios (ou pelo menos perto) que os reconhece e não querem deixar que a literatura argentina seja tão “não-representada”.
Perceberam que o Brasil não é a única nação detentora do tÃtulo de “paÃs da piada pronta”?!?! Viva a União sul-americana!
ps: como bem observou uma querida companheira jornalista, faltou à repórter dizer quem faz parte desta comissão argentina para a feira literária de Frankfurt em 2010? Os bosteros (torcedores do Boca)? Peronistas? “Descamisados“? Só sei que definitivamente não foram os estudantes de “Ciencias Socieales” da Uba, pois por mais que se pareçam com Che e se chamem o tempo todo de “Che.. Che…“, jamais fariam uma boludez dessas.








