14
Jun
2008

Roda moinho, roda peão…

Sensacional o vídeo, não?!

“Café” de Oldelaf & Monsieur D., porque essa é a droga mais consumida pela sociedade ocidental pra poder agüentar as pesadas jornadas de trabalho, tanto é que o café é uma das poucas coisas que todas empresas, em qualquer canto do planeta, fazem questão de oferecer sem limite a seus funcionários.

Obviamente manter café em abundância à disposição para que as pessoas trabalhem como o doidinho da animação acima não é uma teoria da conspiração, já que de fato é uma bebida barata, prazeirosa e estimulante. Entretanto, não existem coincidências, mas oportunismo (não necessariamente no sentido negativo da palavra), cultura e vício.

Há mais de 500 anos (provavelmente mais, pois as fontes são bem discrepantes) o homem passa água quase fervente através de grãos de café moído - e não apenas o mundo ocidental é amante deste líquido escuro. Os árabes, armênios e turcos fazem um café delicioso, cuja borra, dizem eles, é um mapa de nosso futuro.

Mas, corrijam-me se eu estiver errada, acredito que no lado esquerdo do mundo foi onde nasceu essa obsessão pela bebida, que deixou de ser um digestivo como lá do lado direito para ser uma droga de consumo massivo. Segundo o site da National Geographic foi o Brasil, lá por volta de 1700, que fez com que o café deixasse de ser uma bebida da elite para se converter em um iguaria acessível ao povão.

Daí até o Starbucks passaram-se centenas de anos… E o café, além de há muito já ter atingido o status de droga, transformou-se numa marca que, infelizmente, dá status – principalmente em países de terceiro mundo onde lojas dessa rede foram abertas recentemente e as pessoas acham chique caminhar pela rua carregando um copo branco gigante como os que são acoplados às mãos de Britney Spear e Cia.

Seria hipócrita se dissesse que nunca tomei um tall latté dessa cadeia de norte-americana, mas há certo tempo desenvolvi uma ojeriza que me impede de chegar perto de qualquer loja dessas. Até o cheiro me incomoda.

Montagem de mau gosto, è vero, mas não resisti…

O fato é que tenho uma amiga, cuja casa freqüento bastante, que mora na frente do Starbucks da Santos com a Campinas. Ela gosta muito de tomar café lá e como boa amiga que sou, costumo acompanhá-la. No entanto, devo ser uma companhia bastante desagradável, pois fico reclamando o tempo todo. Simplesmente não consigo entender porque tudo demora tanto, sem mencionar o tamanho das filas, que parecem intermináveis. É surpreendentemente bizarro como as pessoas se submetem a quase 30 minutos de espera, em pé, para tomar um café aguado com corante sabor caramelo.

Fora o irritante bom-humor-corporativo dos funcionários, que parecem ter fugido de um comercial de margarina para esfregar essa hipocrisia em nossas caras, nós pessoas normais. E a falsa intimidade? Eles te chamam pelo nome e às vezes se sentem tão chegados que resolvem encurtar e vociferam Fê, Má, Cá, Lê… Irritantemente insuportável.

Para finalizar meu tratado anti-starbucks, nos sábados e domingos os paulistanos mais patéticos da cidade estacionam em lugar proibido, fila dupla, sobre as calçadas, correndo o risco de ser multados em 200, 300 reais, apenas para pegar uma fila de 40 minutos e sair empunhando aquele copo branco gigante como se fosse um troféu.

É bizarro! Já até pensei em chamar a CET e acredito piamente que, no fundo, até faria um favor a eles que, no meu raciocínio, eventualmente se dariam conta da falta de noção de seus comportamentos. Mas, apesar de ser Má, mamãe e papai me criaram boazinha e não consigo ser má. Chata e teimosa sim, má não.

De qualquer maneira, como produto pertencente à cesta básica e também definidor de status, o que seria do mundo sem o café? E das úlceras?

Moi, je vais prendre un café…

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