24
Jun
2008

A revolução é no YouTube


“Semi Babe” de Pop Levi.

Para o melhor aproveitamento deste post, deve-se seguir as regras apresentadas abaixo!
1. Carregar os dois vídeos e deixá-los pausados até que estejam completamente carregados.
2. Dê play no vídeo da esquerda e quando acabar a contagem regressiva, dê play no vídeo da direita.

Gostou? Quer mais, ainda mais legal? Clica aqui, então.
Antes mesmo de lançar seu novo álbum “Never Never Love”, o músico meio psicodélico meio hipponga meio punk já fez videoclipes insanos para várias das músicas. Dizem que ele também é cineasta, o que explicaria os vídeos incríveis.
O cara aparentemente é um gênio.

Dica via papel POP.

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18
Jun
2008

Lavagem Cerebral

elian

Foto premiada de Alan Diaz/AP

Vocês se lembram do menininho acima, Elián González?

Para os que têm memória curta, aí vai um resuminho: em 1999, sua mãe fugiu da ilha de Castro com destino a Miami levando nada além dele. Ela não resistiu à travessia e Elián ficou concomitantemente órfão e náufrago.
Dois pescadores da região, surpresos com o alvoroço de alguns golfinhos, conseguiram resgatar o menino que foi entregue a familiares exilados na Flórida. O pai, obviamente, exigia que o garoto fosse enviado imediatamente para Havana e fizesse valer seu direito de custódia. Já a família exilada em Miami dizia que era desejo da mãe criá-lo em terras gringas e, portanto, não tinham a intenção de entregar Elián ao governo cubano.

De repente, a criança de apenas 5 anos desencadeou uma crise diplomática das mais patéticas já vista, a ponto de Fidel apelar para a opinião pública internacional com discursos que beiravam o “churrasquinho de mãe” (como diria minha própria mãe); a ponto também de o governo dos EUA mandar uns policiais que mais pareciam a Swat ir buscar o menino para despachá-lo de volta pra ilha comunista.

Enfim, o garotinho cresceu e hoje ele é um jovem comunista de 14 anos. Como ele, nesta última segunda-feira outros 18 mil adolescentes foram condecorados com a carteirinha da União de Jovens Comunistas (UJC). Não sei se outros meninos também falaram (acredito que sim, já que é notória a paixão de Fidel por discursos), mas como modelo e exemplo da persistência da Revolução Elián obviamente teve bastante destaque enquanto discursava e, principalmente depois, tornando-se protagonista de uma matéria no jornal Granma.

Ele disse: “Dizemos ao líder da Revolução, Fidel Castro, e ao presidente Raúl Castro que com esta aguerrida tropa podem contar, que continuaremos seu exemplo e jamais vamos decepcioná-los”. Continua: “receber a carteirinha da UJC é um compromisso para continuar, com esforço e entrega, a obra que forjaram para nós o líder independentista Antonio Maceo e o guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara”.

Elián acompanhado de seu pai, Juan Miguel

Suspeito que não tenha sido Elián o responsável pela autoria do discurso, esse uma descarada e patética propaganda política de um governo que se estrebucha para sobreviver e apenas o faz porque seu discurso político ainda tem força suficiente para comover pessoas em situação de miséria.

A Revolução, essa sobre a qual vociferou Elián, foi algo bastante distinto do que é Cuba hoje e é triste ver que mesmo governos guiados pelo social como o cubano usufruem do discurso político como arma inconseqüente de manipulação.

Por outro lado, se Elián estivesse permanecido nos Estados Unidos, provavelmente as palavras que diria seriam exatamente as mesmas. Mudaria apenas o sujeito: não mais seriam os jovens comunistas, mas os exilados em Miami que adoram a “liberdade” da acolhedora América.

Incrível como lavagem cerebral existe de todos os lados, mesmo daquele que um dia a gente acreditou ser o superior. De qualquer maneira isso não é uma novidade e sempre foi assim, mas o caso específico de Cuba é um pouco mais triste porque esta ilha sempre foi um pequeno grande ícone da resistência anti-ianque.

Gostaria de recomendar a todos um rápido clique aqui, onde tem um link para o trailer de um filme incrível chamado “El telón de Azúcar”, de Camila Guzmán, não apenas integrante da primeira geração de cubanos pós-revolução, mas afortunada por ter vivido o sonho real de uma sociedade igualitária. Após 12 anos morando na Europa, ela volta a Cuba para reviver sua infância e registrá-la em filme, apenas para descobrir que apenas 3 de seus colegas do primário ainda continuam vivendo no país. Além de encontrar um sistema educacional daquilo que presenciou, dessa vez completamente decadente e sustentado apenas pelo discurso político das passeatas e manifestações pró-Castro.

O filme é incrível e, depois de muito penar, consegui ter acesso a uma cópia. Quem tiver interesse, é só me pedir que providencio imediatamente, já que é impossível encontrá-lo para vender em qualquer lugar – parece que é uma daquelas pérolas de festivais que não conseguem emplacar comercialmente.

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