Daiane dos Santos, pequena grande admirável ginasta
Kamau – Só (Remix) – Video Oficial from Tela Plano on Vimeo.
(Antes de começar, aperta PLAY aí em cima) Sempre gostei muito desta brasileirinha: pelos pulos, pelo gingado, pelo sorriso, pela persistência e obstinação, pelo exemplo e, depois das Olimpíadas de Pequim, passei a admirá-la ainda mais por ter pisado fora do tablado e perdido a chance de conquistar a medalha de ouro para o Brasil (veja bem, para o Brasil, não para ela – vcs lembram de qnto se falava que era a segunda chance dela de trazer um ouro olímpico para o país?!?!? O peso das expextativas de 185 milhões de pessoas nas costas dela, só isso!). Segundos depois, ela foi entrevistada ao vivo por uma repórter no mínimo “inexperiente” que questionou como ela se sentia sobre sua participação na final do solo. Para meu deleite, Daiane respondeu algo do tipo “é a vida. ora perdemos, ora ganhamos”, deixando a repórter sem palavras…
Suas palavras, seu olhar e sua postura do outro lado do mundo me sensibilizaram de tal maneira que tenho essa imagem impressa na memória como se fosse um a de um parente próximo, uma irmã, uma amiga… um sentimento de identificação muito forte! Por isso, quando a vi no último domingo (16), almoçando no Sí Señor da Rua dos Pinheiros, em São Paulo, acompanhada por um homem bastante forte, seguramente um atleta também, tive que me conter muito para não abordá-la e “trocar uma ideia”. A ideia de falar pra Daiane o quão sensacional eu acho que ela é e o quanto ela me inspira parecia inevitável, afinal eu me identifico tanto com ela! Mas, com a ajuda de uma amiga, me contive de interromper um momento de lazer e descanso desta admirável ginasta, que deveria estar almoçando com o namorado.
E, há algum tempo já, tenho escutado muito rap nacional e uma música do Kamau ficava rondando minha cabeça com os versos:
Tenho que dar meus pulos igual Daiane pra mandar bem no solo
Nessa idade a oportunidade ja não cai no colo
Sei que eu me enrolo com tanto projeto pendente
Ah se eu soubesse como é osso ser independete
Depender de gente que nem sente o mesmo amor que eu
Ter que pedir por favor, pelo amor de Deus
Ou de quem diz que ta lá e vem pra me ajudar
mais bem na hora H nem adianta procurar
Sabe cobrar mais não sabe como tem que andar
sabe acelerar, mais não consegue me acompanhar
E quem corre, quando corre ninguém socorre
But i gotta go yoo, gotta flow so sorry
Fui pra ver se flui se der espero lá na frente
tem muito pensamento inundando a minha mente
E o ditado quem quer Faz, quem não quer manda
e eu tenho que tropeçar pra aprender como se anda
Preciso aprender a ser Só
a me manter Só
Me fortalecer Só
Porque eu quero viver e não sobreviver Só
Mas não guardo rancor aqui eu guardo amor Só
Agora sou só, eu minha culpa, meu mérito
quem vai receber toda critica ou crédito
Cérebro não tava preparado pra isso não
agora já não sabe o que e como diz pra mão
Escreva, expresse o que o coração sente
inspiração na frustração infelizmente
Mais eu sigo em frente não quero que tenham dó de mim
Talvez seja melhor que eu me mantenha só assim, por um tempo
pra poder refletir, repensar, se é melhor desistir
será que vai compensar, é recorrente
Deprê do rap de costume, me fecho no meu mundo
e aumento o volume do som
Assim eu me recordo dos motivos que eu tenho pra fica
e me manter sendo positivo
Nem sempre tudo sai do jeito que agente almeja
mais eu continuo até o fim mesmo que seja
Auto suficiência, ânimo, paciência
Só experiência não garante eficiência
Inspiração, visite-me
Frustração, evite-me
Paz me acompanhe
Cobrança não irrite-me
Concentração [foco]
Mente, Corpo são [foco]
Mais convicção e menos excitação
Mão na massa, nada vem de graça
Se eu não fizer por mim não há quem faça
O tempo passa
Eu não posso esperar
Pra me superar
Me preparar para o que vem
Me recuperar, saber me virar com o que tem
Não me comparar, nunca copiar de ninguém
Eu nao vou parar, eu quero mais e mereço
Achei que fosse o fim, é só um novo começo
Na mesma caminhada
Pelo mesmo caminho
Por onde eu prossigo só…
Dedada olímpica
Já começo a ficar com saudades das belas imagens produzidas em Pequim por milhares de atletas do mundo inteiro… Confesso que vi os mocinhos dos Saltos Ornamentais “ao vivo” e reprisados no dia posterior, e mesmo que tenha apreciado bastante a câmera lenta que revela todos os detalhes do “salto”, nenhuma lente foi tão indiscreta como a que registrou o momento acima!
Para celebrá-lo e, principalmente, celebrar o espírito esportivo tão bem representado por esta lutadora de vermelho, eis uma linda canção de Marvin Gaye interpretada pelo grande ator Jack Black.
“There’s nothing wrong with me
Lovin’ you, baby, no, no, no.
And givin’ yourself to me could never be wrong
If the love is true, oh baby”
Así es la vida…
Não dá pra fugir… Tenho que encarar o fato que perdemos de goleada pra Argentina e nossos arqui-rivais dos campos levaram embora nosso sonho da medalha de ouro olímpico, a única que falta à grandiosa história da seleção brasileira de futebol.
Embora não seja tão fanática do esporte e ter uma admiração e amor incondicionais pelos hermanos argentos, não gosto de ver meu time perder, inclusive pelo fato de sentir prazer em debochar de meus amigos que moram do lado esquerdo da fronteira.
É um deboche “buena onda”, mais pra causar umas boas risadas do que pra provocar e, na maioria das vezes, é em vão porque, por incrível que pareça, existem muitos argentinos que não estão nem aí para o futebol (e a sensação que eu tenho é que todos os meus amigos são desse tipo. Na verdade, não todos, como vocês podem observar nos comentários do post anterior sobre o Sérgio Mallandro, em que um amigo argentino manifesta livremente seu direito de deboche).
No meu primeiro ano em Buenos Aires, em 2005, morava em um bairro bastante residencial chamado Belgrano e, sabe-se lá como, todos os poucos comerciantes do bairro me conheciam e sabiam a minha nacionalidade. “Brasilera”, escutava eu a cada três passos nos 2 quarteirões até a estação de metrô José Hernandez. Eventualmente quando estava de mal-humor ou simplesmente cansada de tanta popularidade, costumava atravessar a rua ou ir pela paralela, apenas para fugir das papos intermináveis das lindas férias que esses argentinos passaram no Brasil. E, claro, sempre elas, as “lindas garotiñas” que conheceram.
Mas quando o Brasil jogava e ganhava… Aí sim eu fazia questão de passar e falar com todo mundo. Quando ganhamos de 4×1 na Copa América ou algo do tipo, eu dava tchauzinho com o a mão mostrando apenas 4 dedos, rindo e me divertindo. Minhas provocações sempre eram acompanhadas de um sorriso, incapaz de esconder o gostinho sádico de ver o rival perder.
Mas o sentimento de união sempre foi muito maior, tanto do meu lado como do deles. Na Copa do Mundo de 2006, troquei camisas das seleções brasileira e argentina com uma amiga porteña e nos comprometemos a assistir pelo menos um jogo do rival em ambiente típico, além de torcer por ambos os países. Por mais que isso nem sempre fosse possível, fiquei bastante triste quando a Argentina perdeu (principalmente quando um desgraçado jogou uma pedra na porta de vidro do meu prédio só porque tinham alemães lá em casa, e eu tive que me explicar pro porteiro Juan e disfarçar o fato de que havia mais de 60 pessoas em um apartamento de 2 quartos. Sim, era uma festa de integração entre estrangeiros e argentinos e calhou de ser no dia do jogo com a Alemanha e de eu morar com uma pessoa dessa nacionalidade, cheia de amigos com o mesmo passaporte. Tirando o vidro, a festa foi um sucesso e argentinos viram suas mágoas desaparecer no meio da diversão e de alemães).
Os jogos do Brasil eram os únicos momentos em que eu me relacionava com brasileiros e já era o suficiente para ficar saturada. Os bares tupiniquins de qualquer lado do mundo sempre têm aquelas meninas que adoram se esfregar em ritmo de samba nas virilhas de gringos. Em Buenos Aires não é diferente e pululam europeus em lugares como o “Me Leva Brasil” e “Devenir”. Como sinto vergonha alheia e raiva dessas mulheres (que reforçam ainda mais o estereotipo do Brasil no exterior), costumava me retirar de lá cedo e zarpar para outro lugar com minha única amiga brasileira de Baires, a Djones.
Mas também eram nesses jogos que eu botava pra fora toda a raiva e rancor reprimidos pelo fato de ter que me relacionar 24 horas por dia com os portenhos (dos argentinos, os menos fáceis de lidar)… Por mais que sejamos parecidos, o choque cultural é inevitável e às vezes eles me tiravam do sério (e, graças a Deus, tive a sorte de conhecer pessoas maravilhosas que me traziam à realidade, davam aulas sobre a arte da compreensão e aceitação e me lembravam porque eu amo tanto esse povo). Era nas partidas também que eu me sentia brasileira de verdade, parte de uma nação – mais um conforto pra quem está fora de casa, do que um sentimento concreto; de qualquer maneira me fazia bem.
Poderia seguir contando dezenas de histórias muito peculiares e interessantes que vivi ou presenciei na Argentina envolvendo futebol, mas acredito que se eu me estender mais neste post vou corromper a essência do veículo “blog” que visa textos mais curtos, mais dinâmicos.
De qualquer maneira, deixo aqui a promessa de voltar ao assunto porque conteúdo é o que não falta. Pra dar uma palhinha: apareci em rede nacional e fui reconhecida pelo porteiro de um bar no dia seguinte; já quis assassinar compatriotas que balançavam a bunda para as câmeras argentinas após a derrota do Brasil para a França e gritavam “Alegria, Alegria” – Caramba, o Zidane acabou com a gente de novo e as putinhas querendo aparecer na TV (Vá pastar!); e, claro, quando fui a única brasileira na platéia do jogo entre Argentina e Alemanha, convidada e vestida à caráter por meus amigos alemães (também os únicos no meio de 400 argies) e, obviamente, com chapéu verde e amarelo.
***De qualquer maneira, parabéns aos jogadores da Argentina pela vitória. Mereceram!***
Mas faço questão de frisar que o Brasil perdeu propositalmente, já que essa derrota tinha o intuito de tirar o Dunga da chefia e, antes do que qualquer medalha de ouro, é isso que queremos… (Alguém acredita? Ha ha ha; ou ja ja ja, como diriam eles.)
Ps: A AFA inclui a passagem e estadia do Maradona nas partidas “del seleccionado celeste”? Meu, o cara faz alguma outra coisa da vida além de ver pessoalmente jogos da equipe argentina?
Ps2: no final tivemos 2 jogadores expulsos porque se comportaram como “verdadeiros” argentinos e saíram chutando canelas e agredindo. E os argentinos, reagindo com a paz e a alegria que só os goleadores têm… papéis invertidos, placar trocado. Bem feito!
O Ascenso do Império Chinês
Para aqueles que passam as madrugadas em Pequim, uma imagem para refletir sobre o cenário político-econômico-ambiental mundial. Ilustração de Marcos Minini do Semana em Cartaz.











