Modelo & Manequim

É engraçado como a vida acaba nos levando para lugares que jamais imaginamos e, por incrÃvel que pareça, a coisa vai fluindo, vai acontecendo e de repente você descobre uma galáxia inteira de oportunidades e possibilidades de viver com melhor qualidade e muito mais prazer.
Além de servir como material imprescindÃvel de trabalho em uma redação jornalÃstica, a fotografia pra mim sempre foi um hobby especial, mas jamais me imaginei trabalhando e vivendo de fotos. Acreditar no projeto acontraluz foi o primeiro passo para tentar viver deste ofÃcio e jamais tÃnhamos o associado a modelos ou a qualquer coisa que tivesse a ver com moda.
Mas, aqui em Trancoso, a maioria de nossos clientes tem aspirações de seguir algum tipo de carreira como modelos ou, simplesmente, se interessam por um book para guardar em suas casas, orkuts ou facebooks fotos lindas e exclusivas em um momento dedicado exclusivamente a eles.

Foi uma agradável surpresa que não esperávamos nem eu nem o Diego, por isso mergulhamos de cabeça no looooongo ensaio com a moça da foto acima, PatrÃcia Alvim, uma advogada mineira belÃssima que desfilava nas épocas de adolescência, mas que ainda guarda o profissionalismo e o ar angelical de idades prematuras.
Além de linda, Paty também nos ajudou incrivelmente em todos os sentidos ao trazer roupas, lenços, jóias, milhões de idéias e muita descontração para a produção, que tomou conta de toda uma tarde e fez com que o Diego apertasse o obturador da câmera fotográfica mais de 700 vezes. Como ela tinha a intenção de comprar somente 20 fotos, editamos todo esse material em um ensaio de 84 fotos. Antes mesmo de ver o resultado final, nos deu um bocado de confiança ao me ligar e dizer: “Vou ficar com todas”.
Paty não apenas levou seu book, como também as 700 fotos originais, mas deixou um sentimento de dever cumprido e, principalmente, de alegria extrema quando ao descobrirmos um novo mundo a ser explorado por nós n’acontraluz.

Convido a todos meus leitores a visitar a página oficial d’acontraluz e, se possÃvel, nos ajudem comentando se por acaso o site demora para carregar, se as fotos podem ser vistas direitinho, etc…
Meu escritório é na praia

Este é o João Paulo, também conhecido como JP ou MC Tripoint. Entre as diversas profissões e atividades que exerce, ele é modelo nas horas vagas e afortunadamente estava no meu caminho quando demos o pontapé inicial no projeto acontraluz.
Assim, JP foi a figura chave e excepcional para a realização da nossa primeira sessão de fotos no nordeste brasileiro, dando a entender que os ventos, os deuses e os orixás estão a nosso favor…

As fotos foram realizadas num fim de tarde na praia dos Nativos, em Trancoso na Bahia. Os registros são de autoria do Diego (desta vez fiquei na produção).
Agora, como diria Chorão, afirmo em alto e bom som que meu escritório é na praia!
Ps: quem quiser ver o resto do ensaio pode clicar aqui.
A peripécia da modelo “gordinha”
Na noite de ontem da São Paulo Fashion Week, uma das modelos mais-mais do mundo desfilou de maneira ultrajante: ela exibia alguns quilinhos em demasia e, pasmem, celulite. Mesmo que Karolina Kurkova estivesse linda, deslumbrante e ainda assim com um corpo bem distante do que possa ser considerado a realidade, a imprensa especializada, com exceção da Glória Kalil que foi bastante discreta, não deixou barato e caiu matando em cima da coitada.
(antes de continuar peço atenção para o fato de que a foto, obviamente, desfavorece a moça, já que ela obviamente está curvando o tronco para a esquerda e as gorduras localizadas ficam ressaltadas. Aqui, uma foto menos sacana da moça)
O argumento é sempre o mesmo: como modelo, Karolina tem o dever e a obrigação de estar sempre magérrima e jamais demonstrar qualquer sinal de que é uma mulher como qualquer outra. Melhor que ninguém, a jornalista Erika Palomino esclarece direitinho como funciona a mentalidade fashion: “só se pode avaliar um biquÃni depois que checamos todos os pré-requisitos das modelos. Normais somos nós: delas exigimos nada menos do que a perfeição, o Olimpo”. Dando uma geral na internet, o que mais se encontra são blogueiros fazendo chacota e manchetes como a do Ego: “Top tcheca, que é uma das mais bem pagas do mundo, decepciona ao desfilar de biquÃni para a Cia. MarÃtima”.
Li também coisas como “se eu quisesse ver gente gorda, não ia na SPFW” e outras variações do gênero, que não passam de hipocrisia e ignorância. Primeiro, porque uma modelo de alta-costura com Kurkova não é e jamais será gorda enquanto estiver trabalhando. Segundo, porque vivemos nos policiando em relação a todos os tipos de preconceitos que existem no planeta: cor, credo, raça, nacionalidade, mas gordura é algo que as pessos automaticamente excluem dessa lista. Todos se sentem livres, leves e soltos para difamar qualquer pessoa que esteja pesando mais na balança como se isso não fosse discriminação.
Longe de mim querer mudar o funcionameno do mercado da moda, que aliás nem me causa grande interesse, mas ao ver a foto de Kurkova, deveras mais cheinha do que a modelo-padrão, pensei imediatamente como seria incrÃvel se uma supermodelo decidisse quebrar com os padrões de beleza pré-estabelecidos sabe-se lá por quem e que o povo perpetua como se fosse a verdade absoluta.
Não é um manifesto para que todas as modelos passem a se empanturrar e fiquem todas gordas, mesmo porque isso também não seria saudável ou esteticamente agradável. Porém, se as modelos pesassem 10 quilos a mais elas continuariam sendo lindas e esbeltas, dada à altura que necessariamente possuem, e estariam muito mais próximas da mulher comum, para quem as roupas supostamente são desenhadas.
Enfim, uma modelo que se recusa a ser esquelética como a Kate Moss dos anos 90 e mesmo assim deslumbra na passarela é um sonho que eu espero ver em vida. Também adoraria ver um grande jogador de futebol, Ãdolo internacional, assumir-se gay.
Já pensou? O quanto amaducerÃamos…







