Showrnalismo
Como o termo inventado pelo grande José Arbex Jr., o jornalismo na televisão tupiniquim deu um verdadeiro show neste ano de 2008. Os casos Isabella e Eloá foram explorados à exaustão e de maneiras explicitamente ilÃcitas pela mÃdia nacional, fazendo com que muitos profissionais da área se sentissem bastante envergonhados com a cobertura sem critérios e sem escrúpulos.
Infelizmente, muitos de nós jornalistas não temos opção quando obrigados a dar mais ou menos atenção a um caso especÃfico, já que recebemos ordens de superiores e como qualquer profissional, devemos cumprÃ-las. Portanto, quando todos somos obrigados pelos donos do jogo a atraiar audiência, o que diferencia um verdadeiro jornalista de um mal (ou até mau) é a maneira de abordar o tema e o comprometimento com a busca pela informação mais crua possÃvel, sem julgamentos de valor implÃcitos e, principalmente, sem informações deliberadamente omitidas.
No entanto, existem aqueles que, dada à extensão da carreira, poder ou influência, podem se dar ao luxo de simplesmente se negar a cumprir uma ordem lá de cima porque foram contratados para, entre outras coisas, regular os limites do próprio exercÃcio jornalÃstico (além de que a falta de um chequinho no final do mês não vai fazer taaaanta diferença assim). São pessoas como Boris Casoy, Fátima Bernardes, Marcelo Tas, William Waack e outros tantos colegas de profissão que atualmente são âncoras de diversos telejornais em diversos canais e ganham mais sozinhos que toda a equipe de jornalismo junta. Sejam partidários do jornalismo sério ou do sensacionalismo, ainda sim sou absolutamente convicta de que não é necessário vender a alma ao diabo para ser bem sucedido profissionalmente, talvez até rico e feliz.
Jamais chamaria a Sonia Abrão de jornalista, mas como apresentadora de um programa de uma das maiores redes de televisão do paÃs, ela definitivamente tinha não apenas a obrigação de se negar a entrevistar Eloá e seu sequestrador DURANTE O SINISTRO, como tinha algum tipo de poder e influência que lhe concedia a “liberdade” de se negar a fazer a transmissão ao vivo - partindo do pressuposto que ela não é um “peão sem vez” dentro daquela redação. Ela poderia ter alegado simplesmente bom-senso, afinal de fato o menino estava armado e ameaçava matar a refém e ela, como responsável pela entrevista, poderia ter complicações jurÃdicas caso fosse interpretado pela polÃcia que a transmissão afetou o desfecho do caso e contribuiu para a tragédia.
Ela não o fez. E, agora, fico feliz ao ler o seguinte parágrafo escrito por FabÃola Reipert na Folha Online: “Sonia Abrão falou ao vivo com o seqüestrador e com a adolescente. O Ministério Público Federal pediu indenização de R$ 1,5 milhão (o dinheiro vai para projetos de direitos humanos) pelo fato de a imagem da menor, Eloá, ter sido usada sem autorização judicial. Além disso, segundo o MP, Sonia interferiu na atividade policial, colocando a vida da adolescente e dos envolvidos na operação em risco. A Rede TV! diz que não foi notificada e que se sente censurada.”
A última frase do parágrafo me faz morrer de rir. Censurada? Ai, se hipocrisia falasse…
Antes de terminar o post, deixo disponÃvel aqui um link de uma matéria na qual Sonia se defende sobre o episódio. Minha parte favorita é: “Em nenhum momento fiz algo que colocasse a situação em risco. Não sou principiante, queria acalmar, dar para ele o que ele queria, que era conversar com o Brasil“, afirmou ela”.
Talvez a polÃcia civil devesse procurar os serviços dela para atualizar o treinamento dos policiais da Delegacia Anti-Seqüestro, não?!?! Vai aà uma dica de nome para o workshop da Sonia: “Conversando com o Brasil 1: o seqüestrado em exercÃcio de seu direito de mandar um beijo pra mãe em rede nacional“.
Quero ver ela pagar, real por real, uma indenização bem bonita pros tais “projetos de direitos humanos” nos quais o Ministério Público diz que investirá a grana.






