2
Sep
2008

Amo a mis boludos…

Como os brasileiros que acabam de voltar de BsAs adooooram falar que argentino é muito, mas muito mais culto, uma matéria interessante (e argentinamente cômica) da correspondente da Folha em Buenos Aires, Adriana Küchler.

“Que Maradona, Evita, Carlos Gardel e Che Guevara são ídolos argentinos ninguém duvida. Mas a escolha deles como ícones para representar o país na Feira de Frankfurt, um dos principais eventos editoriais do planeta, gerou polêmica no mundo literário argentino. Enquanto o país começava a se preparar para ser homenageado na feira de 2010, ano do bicentenário de sua independência, a informação de que quatro ícones não-literários simbolizariam a Argentina no evento vazou e despertou a ira de muitos escritores.

“É desperdiçar a oportunidade de uma enorme vitrine para a literatura argentina, para que nossos livros sejam comprados e traduzidos. Parece que o governo confundiu uma feira literária com um evento cultural”, disse à Folha o presidente da Academia Argentina de Letras, Pedro Luis Barcia.

“É como se o Brasil escolhesse Pelé e João Gilberto no lugar de Machado de Assis e Guimarães Rosa. Ou como se pedíssemos a Messi para entrar na Olimpíada com uma foto de Borges. Estão misturando as coisas”, afirmou.

Quando o tango já estava armado, o comitê organizador da representação argentina decidiu agregar à lista o escritor Jorge Luis Borges, ícone mais conhecido da literatura local. Depois, a presidente Cristina Kirchner sugeriu a inclusão de outro autor, Julio Cortázar. O time argentino passou então a ser integrado por seis ícones, dois deles literários.A decisão, no entanto, não acalmou os ânimos dos escritores”.

Leia a íntegra aqui.

Se você pensou que é meio sem noção o fato de os hermanos terem escolhido o Maradonna e a Evita (além do Gardel e Che) pra representar o país em uma feira de literatura, você está mais perto de compreender melhor esse povo…

Eles são tão obcecados por alguns “símbolos” nacionais que perdem os limites de vista. No entanto, nem é necessário mencionar que a Argentina é berço de intelectuais e artistas incríveis como Jorge Luis Borges e Júlio Cortázar (mas prefiro fazê-lo senão podem me acusar de racista- justo eu que tanto amo os argies) e, obviamente, existe gente à altura desses gênios (ou pelo menos perto) que os reconhece e não querem deixar que a literatura argentina seja tão “não-representada”.

Perceberam que o Brasil não é a única nação detentora do título de “país da piada pronta”?!?! Viva a União sul-americana!

ps: como bem observou uma querida companheira jornalista, faltou à repórter dizer quem faz parte desta comissão argentina para a feira literária de Frankfurt em 2010? Os bosteros (torcedores do Boca)? Peronistas? Descamisados? Só sei que definitivamente não foram os estudantes de “Ciencias Socieales” da Uba, pois por mais que se pareçam com Che e se chamem o tempo todo de “Che.. Che…“, jamais fariam uma boludez dessas.

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