Dedada olímpica
Já começo a ficar com saudades das belas imagens produzidas em Pequim por milhares de atletas do mundo inteiro… Confesso que vi os mocinhos dos Saltos Ornamentais “ao vivo” e reprisados no dia posterior, e mesmo que tenha apreciado bastante a câmera lenta que revela todos os detalhes do “salto”, nenhuma lente foi tão indiscreta como a que registrou o momento acima!
Para celebrá-lo e, principalmente, celebrar o espírito esportivo tão bem representado por esta lutadora de vermelho, eis uma linda canção de Marvin Gaye interpretada pelo grande ator Jack Black.
“There’s nothing wrong with me
Lovin’ you, baby, no, no, no.
And givin’ yourself to me could never be wrong
If the love is true, oh baby”
A fome do hómi
Já não é mais novidade que Michael Phelps come inacreditáveis 12 mil calorias diárias para suportar a dura rotina dos treinamentos, que lhe rendeu 8 medalhas de ouro em Pequim e presença garantida na história da Olimpíada, da natação, da prática esportiva, da humanidade…
O generoso cardápio do moço inclui um café-da-manhã que mais parece uma panela enorme de colesterol (do tipo prejudicial), com direito a omelete de 5 ovos(!!!), 3 sanduíches de queijo, alface, maionese e ovos e cebolas fritas, uma tigela de cereal, torradas com açúcar e panquecas de chocolate. No almoço, o glutão manda pra dentro um pacote inteiro de macarrão e mais dois sandubas de queijo e presunto. O jantar nada leve repete o almoço, mas saem os sanduíches e entra uma pizza, inteirinha.
É simplesmente inacreditável que uma pessoa consiga comer tanto… Por mais que ele gaste quantidades bizarras de energia para treinar, como cabe tudo aquilo dentro da barriga? Não é possível! O estômago dele deve ir do coração até a virilha.
Enfim, diante do desafio de tentar alcançar O MITO em algo, diversos homens tentaram em vão ingerir uma pequena parcela do cardápio de Phelps, como o crítico gastronômico do The Guardian que publicou o vídeo da experiência no seu blog (tá aqui o link pra quem quiser assistir). Ao estilo do programa “You are what you eat” do GNT, o crítico Jon Henley coloca sobre uma mesa tudo que o nadador come em um único dia e a visão, acredito eu, deixaria incrédula até a nutricionista Gillian McKeith, que está acostumada a gordinhos bastante ousados.
Abaixo, separei uma matéria sobre os hábitos alimentares do Phelps, com direito a declarações dos garçons e cozinheiros do restaurante que ele freqüenta quase que diariamente. Divertido, mas repulsivo.
Así es la vida…
Não dá pra fugir… Tenho que encarar o fato que perdemos de goleada pra Argentina e nossos arqui-rivais dos campos levaram embora nosso sonho da medalha de ouro olímpico, a única que falta à grandiosa história da seleção brasileira de futebol.
Embora não seja tão fanática do esporte e ter uma admiração e amor incondicionais pelos hermanos argentos, não gosto de ver meu time perder, inclusive pelo fato de sentir prazer em debochar de meus amigos que moram do lado esquerdo da fronteira.
É um deboche “buena onda”, mais pra causar umas boas risadas do que pra provocar e, na maioria das vezes, é em vão porque, por incrível que pareça, existem muitos argentinos que não estão nem aí para o futebol (e a sensação que eu tenho é que todos os meus amigos são desse tipo. Na verdade, não todos, como vocês podem observar nos comentários do post anterior sobre o Sérgio Mallandro, em que um amigo argentino manifesta livremente seu direito de deboche).
No meu primeiro ano em Buenos Aires, em 2005, morava em um bairro bastante residencial chamado Belgrano e, sabe-se lá como, todos os poucos comerciantes do bairro me conheciam e sabiam a minha nacionalidade. “Brasilera”, escutava eu a cada três passos nos 2 quarteirões até a estação de metrô José Hernandez. Eventualmente quando estava de mal-humor ou simplesmente cansada de tanta popularidade, costumava atravessar a rua ou ir pela paralela, apenas para fugir das papos intermináveis das lindas férias que esses argentinos passaram no Brasil. E, claro, sempre elas, as “lindas garotiñas” que conheceram.
Mas quando o Brasil jogava e ganhava… Aí sim eu fazia questão de passar e falar com todo mundo. Quando ganhamos de 4×1 na Copa América ou algo do tipo, eu dava tchauzinho com o a mão mostrando apenas 4 dedos, rindo e me divertindo. Minhas provocações sempre eram acompanhadas de um sorriso, incapaz de esconder o gostinho sádico de ver o rival perder.
Mas o sentimento de união sempre foi muito maior, tanto do meu lado como do deles. Na Copa do Mundo de 2006, troquei camisas das seleções brasileira e argentina com uma amiga porteña e nos comprometemos a assistir pelo menos um jogo do rival em ambiente típico, além de torcer por ambos os países. Por mais que isso nem sempre fosse possível, fiquei bastante triste quando a Argentina perdeu (principalmente quando um desgraçado jogou uma pedra na porta de vidro do meu prédio só porque tinham alemães lá em casa, e eu tive que me explicar pro porteiro Juan e disfarçar o fato de que havia mais de 60 pessoas em um apartamento de 2 quartos. Sim, era uma festa de integração entre estrangeiros e argentinos e calhou de ser no dia do jogo com a Alemanha e de eu morar com uma pessoa dessa nacionalidade, cheia de amigos com o mesmo passaporte. Tirando o vidro, a festa foi um sucesso e argentinos viram suas mágoas desaparecer no meio da diversão e de alemães).
Os jogos do Brasil eram os únicos momentos em que eu me relacionava com brasileiros e já era o suficiente para ficar saturada. Os bares tupiniquins de qualquer lado do mundo sempre têm aquelas meninas que adoram se esfregar em ritmo de samba nas virilhas de gringos. Em Buenos Aires não é diferente e pululam europeus em lugares como o “Me Leva Brasil” e “Devenir”. Como sinto vergonha alheia e raiva dessas mulheres (que reforçam ainda mais o estereotipo do Brasil no exterior), costumava me retirar de lá cedo e zarpar para outro lugar com minha única amiga brasileira de Baires, a Djones.
Mas também eram nesses jogos que eu botava pra fora toda a raiva e rancor reprimidos pelo fato de ter que me relacionar 24 horas por dia com os portenhos (dos argentinos, os menos fáceis de lidar)… Por mais que sejamos parecidos, o choque cultural é inevitável e às vezes eles me tiravam do sério (e, graças a Deus, tive a sorte de conhecer pessoas maravilhosas que me traziam à realidade, davam aulas sobre a arte da compreensão e aceitação e me lembravam porque eu amo tanto esse povo). Era nas partidas também que eu me sentia brasileira de verdade, parte de uma nação - mais um conforto pra quem está fora de casa, do que um sentimento concreto; de qualquer maneira me fazia bem.
Poderia seguir contando dezenas de histórias muito peculiares e interessantes que vivi ou presenciei na Argentina envolvendo futebol, mas acredito que se eu me estender mais neste post vou corromper a essência do veículo “blog” que visa textos mais curtos, mais dinâmicos.
De qualquer maneira, deixo aqui a promessa de voltar ao assunto porque conteúdo é o que não falta. Pra dar uma palhinha: apareci em rede nacional e fui reconhecida pelo porteiro de um bar no dia seguinte; já quis assassinar compatriotas que balançavam a bunda para as câmeras argentinas após a derrota do Brasil para a França e gritavam “Alegria, Alegria” – Caramba, o Zidane acabou com a gente de novo e as putinhas querendo aparecer na TV (Vá pastar!); e, claro, quando fui a única brasileira na platéia do jogo entre Argentina e Alemanha, convidada e vestida à caráter por meus amigos alemães (também os únicos no meio de 400 argies) e, obviamente, com chapéu verde e amarelo.
***De qualquer maneira, parabéns aos jogadores da Argentina pela vitória. Mereceram!***
Mas faço questão de frisar que o Brasil perdeu propositalmente, já que essa derrota tinha o intuito de tirar o Dunga da chefia e, antes do que qualquer medalha de ouro, é isso que queremos… (Alguém acredita? Ha ha ha; ou ja ja ja, como diriam eles.)
Ps: A AFA inclui a passagem e estadia do Maradona nas partidas “del seleccionado celeste”? Meu, o cara faz alguma outra coisa da vida além de ver pessoalmente jogos da equipe argentina?
Ps2: no final tivemos 2 jogadores expulsos porque se comportaram como “verdadeiros” argentinos e saíram chutando canelas e agredindo. E os argentinos, reagindo com a paz e a alegria que só os goleadores têm… papéis invertidos, placar trocado. Bem feito!











