Sin palabras
Após 6 anos refém das FARC na selva colombiana, Ingrid Betancourt finalmente revê seus filhos Mélanie e Lorenzo.
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No começo do ano, pouco antes que Clara Rojas e Consuelo González fossem resgatadas das Farc pelas negociações de Hugo Chávez com o grupo guerrilheiro, alguns rebeldes foram capturados pelo exército colombiano. Com eles estava uma longa carta de Ingrid Betancourt para seus filhos na qual descrevia as péssimas e humilhantes condições em que vivia no meio da floresta.
Um trecho: “Vivo e sobrevivo em uma rede estendida entre dois pedaços de pau, coberta com um mosqueteiro. Sobre ele há uma barraca que se faz de teto e assim posso pensar que tenho uma casa. (..)”
Comovidos pela brutalidade das palavras que sua mãe encontrou para descrever a vida brutal à qual foi submetida, seus filhos decidiram responder à carta publicando o livro “Lettres à maman par de-là l’enfer” (algo como “Cartas para a mamãe para além do inferno”) e fazer todo o possível para que chegasse até suas mãos e a levasse forças para sobreviver.
Encontrei alguns trechos do livro, que ainda não foi publicado em português. Segue uma tradução grosseira:
“Nesta selva que te prende tudo é tão longe, até mesmo o sol. Tudo te machuca, tudo é inumano. Mesmo assim, você conseguiu encontrar a verdade nas tuas palavras. Mamãe, você nos acordou. Hoje sabemos o que significa ser livre. (…) Estamos tão orgulhosos de você, mamãe. Você, que ainda encontra forças para se negar a jogar o jogo de teus seqüestradores. (…) Você é resistente, valente, inteligente e forte. Sabemos que a resistência e a coragem não são infinitos. Por isso te pedimos que agüente um pouco mais, apenas um pouco… Nossas palavras te alcançarão gota a gota pelo rádio e serão tua energia. Nossos pensamentos, aquele que te enviamos em segredo, serão teu consolo. Ganharemos! Queremos vê-la de novo, encontrar teu sorriso e tua alegria de viver. Existirá para você de novo livros, risadas e liberdade. Até logo mamãe!”

Após a publicação em janeiro na França, Mélanie e Lorenzo viram duas companheiras de cativeiro de sua mãe encontrar a liberdade. A necessidade de reencontrar a mãe, imagino, lhes fez resgatar as esperanças que jaziam esmagadas pelo tempo em algum lugar de seus corações. E assim, seguiram enviando mensagens de força e esperança não apenas em entrevista a redes de televisão, mas também encontrando-se com líderes mundiais para discutir a situação e brigar pela liberdade das mais de 700 pessoas que estão sob o poder das Farc.
Seus filhos também mantinham um programa na rádio France International que era retransmitida para a rádio caracol da Colômbia, no qual a pedido de sua mãe contavam fatos de suas vidas cotidianas e, assim, mantê-la mais próxima deles.
Enfim, a história de Ingrid Betancourt e o reencontro com seus filhos mostra a força sobre-humana que só o ser humano é capaz de buscar para alcançar um sonho impossível. Em seu primeiro discurso, Ingrid frisou diversas vezes que o momento que vivia era um milagre… Milagre planejado e executado sem sangue e por seres humanos. Isso existe!
Ps: Claro que a operação de resgate deve muito ao trabalho do exército colombiano, mas acho desnecessário exaltar a inteligência militar (afinal de contas, inteligência deveria ser sempre utilizada mesmo nos quartéis). E como diriam os queridos argentinos, jamais deixando de exorcizar os tempos de ditadura: el que no salta es un milico!
****Atualização: e, se isso se confirmar, vergonha alheia da inteligência do exército da Colômbia.







4 de July de 2008 às 7:17 pm
muito emocionante o texto, assim como o momento.
Estar sequestrado por 6 anos, nossa, não sei nem como imaginar isso. Me lembra o caso daquela menina austríaca q o cara deixou presa no porão.
porão e a floresta acamabm sendo doislados da mesma moeda.