Rindo com Hornby
Nick Hornby é sempre uma leitura agradável e divertida. Em todos seus livros existem personagens ou situações com os quais qualquer leitor pode se identificar, desde que ele viva neste planeta e seja minimamente ligado na cultura pop. Os protagonistas das obras deste escritor inglês costumam ser homens na casa dos trinta que, ao topar com um obstáculo jamais visto, decidem finalmente superar a própria imaturidade. Esse mote só não vale de maneira literal para seus dois últimos livros “Como se legal?”, narrado por uma mulher, e “Uma Longa Queda” que tem 4 narradores.
“Slam”, seu mais novo livro e recém lançado no Brasil, é a história de um período conturbado na vida de Sam. Ele é um garoto de 16 anos que passa a maior parte de tempo andando de skate, até que conhece a namorada Alicia e o casal engravida. Para não arruinar a leitura de quem tiver lendo este blog e sentir vontade de ler o livro, não vou entrar em muitos detalhes, mesmo porque não é uma obra que mereça grandes análises. É simples e engraçada, pra ser lida no caminho de volta pra casa no metrô, enquanto as pessoas te observam rir sozinho. Hornby faz um bom trabalho estando na pele de um moleque de 16 anos, transmitindo com bastante verossimilhança o que poderia passar na cabeça de um pai tão precoce a ponto de achar perfeitamente compreensível ter Green Day como música de fundo para o parto.
A sensação é de estar dentro da mente confusa do garoto, que relaciona seus novos problemas com coisas banais com as quais possa se identificar numa tentativa desesperada de entender o que está acontecendo. Tentando buscar provas de que sua situação não é assim tão ruim, compara um bebê com um iPod, já que para Sam muitas adolescentes que conhece exibem seus filhos como se os tivessem comprado num shopping. No entanto, segundo o protagonista, a diferença é que ninguém vai te assaltar pra levar a criança. Como nada é perfeito, Hornby comete alguns pecados no enredo e na estrutura do livro que definitivamente o empobrecem e podem deixar fãs como eu um pouco decepcionados. São momentos que dão vontade de trapacear e pular umas páginas, por mais que tivesse uma piadinha ali ou acolá que valesse a pena, pois parece que o escritor estava com preguiça.
Essas passagens dizem respeito às “conversas” de Sam com o skatista Tony Hawk, ou melhor, com o pôster dele colado na parede de seu quarto, aos momentos em que o protagonista passa a “adivinhar” seu futuro e, na reta final (e aqui sim digo preguiça total), o escritor opta por finalizar a história numa sessão de perguntas e respostas transformando a ficção numa espécie de jornalismo chato e mal-feito. O personagem é complexo e interessante desde o princípio, não era necessário subestimá-lo dessa maneira. De qualquer maneira, “Slam” ainda vale a pena para quem gosta de Nick Hornby. Risadas garantidas. E se você tiver algum familiar ou conhecido que está passando por uma gravidez na adolescência, diria que é uma leitura essencial para os pais precoces.






27 de June de 2008 às 7:56 am
Má, adorei as músicas.
Sempre gostei de Green Day e fazia milênios que eu não escutava.
beijo
21 de July de 2008 às 11:09 am
Pois é, mas o Sam (que narra tudo aos 18 anos, não esqueça), apesar de mais novo, segue uma bendita mania dos personagens do Hornby: pensar em dizer, não falar nada, e só se afundar mais em problemas. Acho que o maior exemplo disso é, de longe, o Rob, de “High Fidelity”. Acho que isso pega um pouco no livro porque você o moleque falando como quem tem, de fato, a idade que tem, mas pensa muito mais como um adulto em muitas partes. Acho que isso é ser adolescente, não?
Agora, uma coisa que eu acho interessante, especialmente para os ingleses, e daqui alguns anos: Nick Hornby escreve como poucos sobre a classe média deles, não? Ele tem uma capacidade de pegar o que o average person pensa (fluxo de consciência) e faz como poucos, e eventualmente isso vai ser riquíssimo como valor literário.
Mas você tá certa com o fim do livro… achei meio ruim mesmo, parece que ele ficou com pressa. Só que, por outro lado, foi um modo pelo menos diferente, e não digo das perguntas e respostas, mas do fim em si, corrido e aberto como foi. Acho que não teria sentido o Sam ficar descrevendo o ano entre o nascimento do Roof (genial o trecho do parto!) e onde eles todos estavam.
Ah, sim: eu não ando de skate mas sei quem é Tony Hawk. Nick esqueceu do PlayStation. tsc tsc tsc